O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou sua oitava semana consecutiva de perdas desde a implementação do Plano Real em 1994. As incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e ao risco político interno contribuíram para essa queda.
A bolsa brasileira acumulou uma perda de 2,74% na semana passada. Além disso, o dólar à vista terminou a semana com alta.
Um dos principais fatores que impactaram o mercado foi a decisão do governo Trump de aumentar as tarifas sobre produtos importados do Brasil em 25%. Na sequência, a Casa Branca ameaçou impor uma nova taxa adicional de 12,5% para importações de 60 países, incluindo o Brasil. Essa medida pode levar a um aumento nos custos de produção e exportação brasileiros.
Além disso, os EUA classificaram as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, o que traz riscos econômicos imediatos para empresas e instituições financeiras do Brasil. No entanto, especialistas acreditam que é improvável que haja sanções significativas contra instituições brasileiras no curto prazo.
Dados nos EUA mostraram uma criação de empregos acima das expectativas em maio, o que levou ao mercado a precificar uma possível elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed) no segundo semestre deste ano. No Brasil, os investidores apostam na manutenção da taxa Selic em 14,50% ao ano.
Tensões no Oriente Médio continuaram com Israel e Líbano firmando um novo cessar-fogo, mas as negociações de paz entre EUA e Irã permanecem travadas. Mohsen Rezaei, conselheiro militar do Irã, alertou sobre a possibilidade de expansão da guerra para o Oceano Índico.
Os preços do petróleo continuaram em alta com o contrato mais líquido do Brent avançando 2,16% na semana. Isso pode impactar negativamente as empresas brasileiras que dependem de importações de petróleo.
No Ibovespa, a Copasa liderou as altas da semana com um ganho de 7,19%, enquanto a Braskem foi o principal perdedor com uma queda de 16,35%.
