O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, destacou em uma palestra que o Brasil enfrenta problemas significativos com a ausência de ganhos de produtividade na economia. Ele ressaltou a necessidade de se “linkar” às cadeias globais de valor para aproveitar as tecnologias emergentes como inteligência artificial (IA).
Galípolo explicou que o cenário econômico atual combina uma curva de juros estável nos Estados Unidos com a desvalorização do dólar. Ele afirmou que os investidores estrangeiros estão fazendo hedge ao investir em renda variável no país americano, o que contribui para a queda da moeda americana.
O presidente do BC também mencionou que o mercado de títulos dos EUA (Treasuries) não está sofrendo tanto quanto se esperava, graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela IA. Isso permite uma política monetária menos restritiva no longo prazo e reduz a pressão sobre a inflação.
Galípolo destacou que o Brasil não está conectado às cadeias globais de valor, o que causa preocupações com a falta de ganhos de produtividade na economia brasileira. Ele previu um crescimento menor que 3% em 2026 e alertou sobre as pressões de demanda refletidas nos indicadores de inflação.
O presidente do BC enfatizou a importância de o Brasil se conectar mais eficientemente com essas cadeias globais para alcançar um crescimento sustentado baseado em ganhos de produtividade. Ele também mencionou que o país passou por quatro choques de oferta nos últimos anos, provocados pela pandemia de covid-19, pela guerra na Ucrânia e pelo conflito no Irã.
Galípolo afirmou que a economia brasileira é vista como mais protegida com juros altos e autossuficiência em commodities. Ele também destacou o avanço do arcabouço legal do BC e da política monetária, reconhecido pelos investidores. O presidente do BC ressaltou ainda que os indicadores tradicionais de bem-estar estão enfraquecidos, com um aumento rápido nos níveis de preços após cada choque de oferta.
Como isso afeta o bolso do leitor? A falta de ganhos de produtividade pode resultar em inflação mais elevada e taxas de juros maiores no futuro, o que impacta diretamente os gastos e investimentos dos brasileiros.
