O Brasil deu dois passos importantes nesta terça-feira para ampliar a adoção de armazenamento de energia no setor elétrico, com a aprovação da regulamentação para essas tecnologias e a assinatura pelo governo da portaria com as regras para o primeiro leilão de contratação desses sistemas.
Essa medida é crucial em um momento onde o Brasil precisa garantir a segurança e estabilidade do fornecimento de energia, especialmente diante do forte crescimento das fontes renováveis como solar e eólica nos últimos anos. Essas fontes são intermitentes, o que desafia a operação do sistema elétrico.
Regulamentação Aprovada
A regulamentação foi definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) após seis anos de discussões e aprimoramentos. Ela prevê que o Brasil poderá receber tanto baterias autônomas quanto instaladas junto a centrais geradoras, podendo absorver energia diretamente delas ou da rede elétrica.
Além disso, foram enquadradas como sistemas de armazenamento as usinas hidrelétricas reversíveis, que operam com dois reservatórios e podem bombear água para o reservatório superior quando há excesso de energia e liberá-la para gerar eletricidade quando a oferta diminui.
Tarifação dos Sistemas
Uma das definições importantes desta terça-feira está ligada à tarifação dos sistemas pelo uso da rede de transmissão e distribuição. Sistemas de baterias autônomos e que se submetam a despachos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) serão cobrados apenas no descarregamento da energia — já para os demais arranjos, haverá cobrança tanto no carregamento quanto no descarregamento.
Primeiro Leilão
O governo brasileiro assinou nesta terça-feira a portaria com as diretrizes do primeiro leilão da tecnologia, que deverá ter uma contratação estimada de pelo menos 2 gigawatts (GW).
Segundo o ministro de Minas e Energia em exercício, Gustavo Ataide, as regras serão divulgadas na quarta-feira. O titular da pasta, Alexandre Silveira, que está de férias, confirmou que a licitação deverá ocorrer em dezembro deste ano.
Impacto no Setor
A regulamentação e o leilão vêm sendo aguardados por grandes investidores ligados ao setor de energia. Além de garantirem novos negócios a essas empresas, os sistemas de armazenamento poderão ajudar ainda com outros problemas setoriais, como cortes de geração de energia eólica e solar impostos pelo ONS.
Estudos indicativos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que o Brasil poderá alcançar 1.600 megawatts (MW) de sistemas de armazenamento até 2030, crescendo para 6.600 MW em 2035.
Como isso afeta o bolso do leitor?
A regulamentação e a realização desse primeiro leilão podem abrir caminho para novos investimentos no setor de energia, potencialmente reduzindo custos e aumentando a eficiência na distribuição de energia elétrica. Isso pode ter um impacto positivo nos preços da energia para consumidores residenciais e industriais.
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